Maria Carlos, professora titular aposentada da UERN, atualmente é assessora e produtora de projetos culturais do município de Major Sales, presidente do Ponto de Cultura Tear Cultural, Major Sales / RN; Parecista Técnica do Ministério da Cultura e atua no Programa Cultura Viva do Ministério da Cultura, como griô aprendiz do Projeto Saber Oral Preservado desenvolvido pelo Ponto de Cultura Tear Cultural, Major Sales /RN. É cordelista com vários trabalhos publicados, entre eles, Imagens do sertão e Bater em Criança é Covardia.
A cultura de um povo começa na infância, nas cantigas de ninar, nas histórias, nas rodas, nos brinquedos e nas brincadeiras, nos modos de se relacionar com os pais, na escola e na comunidade, na forma de se alimentar e vestir. A cultura da criança é a semente da cultura de todos os povos.
Com essa compreensão a Associação Comunitária Sócio Cultural de Major Sales, responsável pelo Ponto de Cultura Tear Cultural reconhecendo a importância de abrir espaço para a cultura da infância, vai desenvolver o Projeto DEIXE A CRINÇA BRINCAR, do qual você pode ser colaborador fazendo a doação de um brinquedos ou um jogo educativo.
A doação pode ser enviada das seguintes formas:
• Entregar no Ponto de Cultura Tear Cultural de Major Sales; • Via postal para o endereço: Associação Comunitária Sócio Cultural de Major Sales, Rua João André de Morais, S/N, centro, Major Sales/ RN, CEP: 59945-000
• Entregar na residência da colunista Maria Carlos.
E-MAIL:
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SITE: www.tearculturalmajorsales.com.br
Maria Fernandes e Carlos Oliveira Presidente da Associação Comunitária Sócio Cultural de Major Sales Ponto de Cultura Tear Cultural
27
Mai
A Semana Especial do Livro Infantil
Escrito por Maria Carlos
Sex, 27 de Maio de 2011 19:49
O projeto Colhendo Leitores concretizou uma das metas previstas quando da instalação do Instituto Zulmirinha Veras, qual seja de fundar uma biblioteca itinerante para atingir os diferentes pontos do município de Alexandria, levando a cultura,incentivando a leitura, contribuindo para a democratização da cultura e inclusão social. Destacamos a realização da semana especial do livro infantil que enfatizou a obra de Monteiro Lobato, autor de grande referência na comunicação de temas importantes, em linguagem tipicamente nordestina. A obra de Monteiro Lobato enfoca assuntos que ainda hoje são atuais na problemática do sertão, a exemplo, da personagem “Jeca Tatu” e da grande potencialidade cultural do Sítio do Pica Pau Amarelo.
A Semana Especial do Livro Infantil mobilizou as Escolas Públicas Municipais e Estaduais existentes no município em torno da divulgação e conhecimento da vida e obra de Monteiro Lobato, com a apresentação de peças, dramatizações, contações de estórias, apresentação de personagens da obra de Monteiro Lobato, e resgate dos temas explorados do autor, que falam do sertão nordestino.
30
Mar
PESQUISA “GARIMPO AZUL”
Escrito por Maria Carlos
Qua, 30 de Março de 2011 21:43
PESQUISA “GARIMPO AZUL” REALIZADA NO MUNICÍPIO DE TENENTE ANANIAS EM 2007
Pesquisadora: Maria Carlos
Tenente Ananias é um pequeno município situado no alto sertão nordestino, na região oeste do Estado do Rio Grande do Norte, semi-árido brasileiro. Com uma área de 272 Km² o município se encontra a uma distancia de 410 km da capital do Estado.
Sua população é de 9.300 habitantes, a maior parte vive na zona urbana, e a minoria se encontra de maneira dispersa pelas diversas comunidades rurais do município, sendo as comunidades da Vila Mata e do Sitio Santo Antonio as mais povoadas.
A maioria da população de Tenente Ananias vive da agricultura de subsistência, produzindo arroz, feijão e milho; e da agropecuária com a criação de bovinos, caprinos e suínos. Entretanto toda sua economia fica comprometida nos períodos de estiagem mais prolongada. O certo mesmo é que a maior parte da renda das famílias provêm de programas de transferência de renda do Governo Federal como o Bolsa Família e das Aposentadorias e Benefícios Rurais junto ao INSS. Atualmente o comércio do crediário se constitui como a maior fonte de renda para população local.
Tenente Ananias tem em sua história o marco do ciclo da mineração que nas décadas de 70 e 80 movimentou a economia do município, águas-marinhas era o principal minério extraído do subsolo, com o tempo a produção foi declinando e o garimpo fechou, deixando dezenas de famílias sem trabalho.
Fomos em busca dessa história, através de entrevistas face a face com populares que fizeram da mesma, conseguimos relatos usamos para construção do texto intitulado “garimpo Azul”.
Há muitos anos atrás, aproximadamente, em 1948 existia em cima da terra do município de Tenente Ananias, isto é na zona rural, no sitio Gerimum muita pedra azul que a população chamava vidro da terra, mas para eles era apenas pedras bonitas usadas para enfeitar a terra, vale salientar, que “o povo vivia aqui / do outro mundo isolado/ não existia o asfalto/ o radio era novidade/ o transportes era um jumento/ ou um cavalo arreado/ ou então uma carroça/ por um boi gordo puxada. Mas um dia chegou um homem vindo de Campina Grande, cidade da Paraíba, seu José Florentino procurando “vidro da Terra”, (pedras preciosas) foi ao encontro de seu Manoel Osório proprietário da fazenda Gerimum que disse: “ existe por aqui umas pedras de vidro”. Ouvindo a afirmação seu José Florentino falou: É eu soube que aqui no Gerimum podia ter mineiro”. Ambos seu Manoel Osório e Seu José Florentino encontraram muitos tubos de berílio em cima da terra, era tanto berilo que eles juntavam, enchiam caçuás e transportavam em lombos de animais até o destino da venda, em seguida seu Florentino foi trazendo gente de fora que ia levando os berilos; como era grande a quantidade e não existiam estradas para carros fizeram uma estrada toda em serviço braçal com picaretas para carros chamados FUBICAS passarem, depois passaram a destinar 10% do valor da venda das pedras aos proprietários da terra, as pedras eram vendidas a um grego na cidade de Recife – PE .
Em 1950 chegaram outras pessoas enviadas por José Florentino, entre elas, seu José Soares, que dizia ter vindo pesquisar, mas na verdade eram uns exploradores de minério que se utilizavam da mão-de-obra infantil, davam para cada criança, uns mireis e estas juntavam os tubos de berilos pensando como seus pais, que eram pedras de vidro de pouco valor. Os ditos pesquisadores ficavam sentados debaixo de uns pés pereiros frondosos, recebiam os berilos e iam quebrando, retirando apenas as pedras preciosas de águas marinhas; os berilos que tinham 10% de ácido que misturando a chelita, eram utilizados na construção de peças para navio e avião.
Existia ali um homem chamado ‘Velho Amaro’, rezador, que com suas rezas curava quem era mordido de cobra, parava algumas tempestades que quisesse arrebentar o mundo. Uma vez a filha de seu Amaro foi buscar uma lenha e na areia do riacho encontrou um vidro da terra, muito bonito e pesado que passou a servir de peso para pesar algodão, mas o dito pesquisador ficou sabendo e procurou fazer amizade com Seu Amaro, convidou-o para ser padrinho do filho e conquistando a amizade do velho curador, mas um certo dia Seu Amaro foi chamado para curar uma pessoa mordida de cobra jararaca, malha de cascavel, no sitio jatobá e o esperto pesquisador quebrou o berilo, tirou as pedras de águas marinha, aproximadamente 30Kg, colocou numa mala e seguiu até a cidade paraibana do Lastro, isto se passou em um período de inverno e não dava pra chegar de Fubica, então seu Manoel Gonçalves mandou dois rapazes irem com ele de montaria, o pesquisador seguiu num burro chamado “Carão” até outra cidade paraibana, Sousa, seguindo de lá para Campina Grande e Rio de Janeiro, onde vendeu as pedras de águas marinha. Aqui ele nunca mais apareceu, deixando para trás apenas o facão, a lanterna e a capa de proteção.
O próximo explorador veio do ceará, começou a trabalhar, Seu Gonçalo Januário, arranjou sócios e começou a garimpar, já não se encontrava pedras em cima da terra, entretanto ainda era muito raso, trabalhavam com instrumentos manuais ( picareta, aço, marreta, pixote, carro de mão etc) e por muito tempo a exploração continuou, sendo encontrado muito minério e assim atraindo muitos outros garimpeiros que vinham de diversas localidades e aqui mesmo em Tenente Ananias as pessoas começaram a se envolver na atividade.
Com o crescimento da atividade surgiu o Garimpo, na terra de Dona Quinquinha, que começou devido um certo dia dois rapazes terem cavado o chão a procura de capuchú de abelha e encontraram no local muita água marinha. Os sacos que tinham levado para trazerem o capuchú, trouxeram cheios de pedras preciosas de águas- marinhas, nasceu a grande exploração manual, foram vendendo as banquetas furando túneis, usando instrumentos rudimentares, vinha gente de todo canto as banquetas com extensão de 10 metros de alto a alto, que pareciam ondas do mar. A fase áurea do minério foi dos anos de 1970 a 1985. Eram cavados túneis horizontais de até 300 metros. As primeiras pesquisas foram financiadas pelo Governo do Estado do Rio Grande do Norte com recursos da SUDENE (Superintendência de desenvolvimento do Nordeste), a fundo perdido, tudo desenvolvido pela CDM – Companhia de Desenvolvimento de Recursos Minerais.
Na época o nordeste passava por uma grande seca, foram 5 anos seguidos de estiagem e aproximadamente 360 agricultores alistados nas frentes de emergência passaram a prestar serviços no garimpo sob a orientação dos geólogos da CDM, a produção aumentou, vieram compradores de todo país. Pessoas de Tenente Ananias enriqueceram com o minério.
Um fato que merece destaque foi a criação do Centro de lapidação, onde as pedras preciosas, os berilos que antes eram lapidados no estado de Minas gerais e/ou em outras capitais passaram a ser lapidados em Tenente Ananias, para tanto foram realizados vários cursos de lapidação, onde foram formadas três turmas com 20 alunos cada, totalizando 60 pessoas a trabalhar no centro de lapidação do projeto garimpo, lapidando águas marinhas, ametistas e cristal. A lapidação aconteceu na cidade até o ano de 1987, ano que o Governo estadual, desativou o garimpo, levou todo o maquinário e o minério foi desativado, permanecendo apenas exploradores individuais de pequeno porte.
A reativação do garimpo é a continuidade da exploração, com preocupação clara da preservação ambiental, numa política de exploração sem degradação ambiental, promovendo também um resgate histórico da mineração.
Apesar de toda essa história, a população nunca teve acesso a um acervo técnico sobre a mineração e seria interessante que as escolas desenvolvessem um estudo e pesquisas sobre a história da mineração no município
09
Jan
A PLURALIDADE CULTURAL BRASILEIRA É ORIUNDA DA FUSÃO DE RAÇAS
Escrito por Maria Carlos
Dom, 09 de Janeiro de 2011 23:42
A PLURALIDADE CULTURAL BRASILEIRA É ORIUNDA DA FUSÃO DE RAÇAS. APRESENTO A SEGUIR UM ARTIGO QUE ME CHAMOU ATENÇÃO PELA REFLEXÃO QUE FAZ SOBRE AS DIFERENTES VISÕES DA MISCIGENAÇÃO.
ARTIGO
A CONTRIBUIÇÃO DAS TRÊS RAÇAS (ÍNDIOS, NEGROS E EUROPEUS) PARA A FORMAÇÃO DO POVO BRASILEIRO, ANALISANDO OS DIFERENTES CONCEITOS DE MISCIGENAÇÃO
Neuma Alves de Oliveira
A História do Brasil é marcada por vários fatos e acontecimentos que deixaram marcas profundas na sociedade, e que foram contados e recontados ao longo dos anos com versões renovadas que estiveram de encontro à historiografia tradicional, trazendo um novo olhar sobre a colonização, miscigenação e a questão racial no Brasil. O grande encontro de povos a partir da América portuguesa colocou em contato culturas completamente diferentes, cada qual, com os seus costumes, crenças e valores, gerando diversas discussões acerca de brancos, índios e negros miscigenados.
A mestiçagem como fato social só começou a ser percebida no século XIX, sendo, porém entendida por uma sociedade dominada pela noção da superioridade branca, como um fenômeno negativo, que degradava o povo brasileiro. Diversos foram às visões a respeito da problemática da mescla cultural, aparecendo pela primeira vez com Von Martius que afirmava que para compreender a História brasileira era necessário um estudo das três raças que lhe deram origem; em um período que reinava o sistema escravista, admitir a contribuição do negro na formação étnica brasileira apontava como uma questão desafiadora; no entanto, suas idéias não foram seguidas ao longo do século. Tivemos a interpretação dada por Sílvio Romero que abordou o papel das raças e da mestiçagem na criação do folclore.
Romero definiu a cultura brasileira como mestiça, cujo caráter específico dependeria da integração de elementos díspares. A literatura e a arte nacionais teriam sido criadas pela fusão das raças e pela incorporação a uma expressão civilizada das ‘faculdades de imaginação e sentimentos dos selvagens do continente americano e africano’. O folclore brasileiro teria sido criado graças à atuação do mestiço. (MOTA, 2000, p. 343).
Romero dizia que a idealização romântica do indígena e a questão da escravidão, eram responsáveis pela ausência de estudos do afro-brasileiro, entretanto em Estudos sobre a poesia popular no Brasil, demonstrou desinteresse pela cultura afro-brasileira, apesar de ter feito propaganda do abolicionismo. Na verdade, sua teoria da mestiçagem partiu de uma visão racista e evolucionista através do branqueamento.
Valorizou miscigenação como fator de adaptação das raças e culturas ao meio local, precondição para vitória do colonizador europeu nos trópicos, e acreditava que o elemento branco seria vitorioso na ‘luta entre raças’ devido à sua superioridade evolutiva. Previa assim o total branqueamento da população brasileira em três ou quatro séculos. (MOTA, 2000, p.344).
A esse respeito aproximava-se de Varnhagen, que com sua história branca, elitista e defensor da escravidão, mostrava-se favorável a miscigenação como forma de integrar índios e negros a população branca. Com esse mesmo pensamento racista seguem Paulo Prado, Caio Prado Jr. e Nina Rodrigues, este último apesar de ter direcionado seus estudos ao negro, afirmava que este lhe inspirava a “evidência científica” da sua inferioridade e poderiam ameaçar a civilização por serem incapazes de interagir como sujeitos no Brasil republicano.
A partir das primeiras décadas do século XX, o Brasil passa por mudanças profundas; com a Revolução de 30 essas mudanças são orientadas politicamente e as teorias raciológicas tornam-se obsoletas, pois com a nova realidade social era preciso superá-las, assim, surge Gilberto Freyre trazendo um novo olhar sobre a mesma problemática dos intelectuais do século XIX, Freyre se volta para o culturalismo de Franz Boas e cria o mito da democracia racial.
A passagem do conceito de raça para o de cultura elimina uma série de dificuldades colocadas anteriormente a respeito da herança atávica do mestiço. Ela permite ainda um maior distanciamento entre o biológico e o social, o que possibilita uma análise mais rica da sociedade. Gilberto Freyre transforma a negatividade do mestiço em positividade, o que permite completar definitivamente os contornos de uma identidade que há muito vinha sendo desenhada. (ORTIZ, 2006, p. 41)
A fusão das três raças para a composição do povo brasileiro é vista por Freyre como um fator positivo, para ele a miscigenação teria corrigido a distância entre a casa-grande e a senzala e gerado uma relação adocicada entre senhores e escravos. Gilberto Freyre viu na mestiçagem uma característica peculiar do brasileiro, em que cada uma das raças deu sua contribuição para a formação étnica do Brasil. O genial reconhecimento e valorização dessa mescla cultural fazem de Freyre um dos autores mais apreciados, apesar dele ter considerado que a escravidão “fora tão doce quanto o mel da cana-de-açúcar” e que a receptividade e tolerância portuguesa quanto à mistura racial se deu devido à atração sexual. No entanto, mesmo que tenha cometido alguns deslizes em Casa-grande e Senzala, este autor colocou nessa obra um novo enfoque sobre a problemática da miscigenação que tantas controvérsias gerou ao longo dos anos.
Portanto, o que se percebe é que a temática da miscigenação ou questão racial decorrente da colonização, tem gerado diferentes opiniões entre intelectuais que têm análises divergentes em se tratando da mestiçagem ocorrida no Brasil. É cediço que a mescla cultural fez surgir visões racistas, que de uma forma maquiada ainda está presente até hoje; mas autores como Gilberto Freyre ofereceu ao brasileiro uma carteira de identidade e nos fez reconhecer que somos a união entre negros, indígenas e europeus.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
MOTA, Carlos Guilherme (org.) Viagem Incompleta: a experiência brasileira (1500 – 2000). São Paulo: Ed. SENAC, 2000.
ORTIZ, Renato. Cultura Brasileira e Identidade Nacional. 5ª Ed. São Paulo: Brasiliense, 2006.
VAINFAS, Ronaldo. Colonização, miscigenação e questão racial: notas sobre equívocos e tabus da historiografia brasileira. Agosto 1999.
06
Dec
Ação de Inclusão Cultural
Escrito por Maria Carlos
Seg, 06 de Dezembro de 2010 20:55
O INSTITUTO ZUMIRA VERAS ATRAVÉS DO PROJETO COLHENDO LEITORES PATROCINADO PELO BANCO DO NORDESTE IRÁ PROMOVER NO DIA 02 DE DEZEMBRO UMA AÇÃO DE INCLUSÃO CULTURAL COMO LANÇAMENTO DE CORDEIS DE POETAS DO OESTE POTIGUAR.
Para Carlos Drummond de Andrade, e segundo a pesquisadora Candoce Slater, a poesia de cordel é “Uma das manifestações mais puras do espírito inventivo, do censo de humor e da capacidade crítica do povo brasileiro”, e ainda uma “poesia de confraternização social que alcança uma grande área de sensibilidade”. Constitui-se à referida literatura em um modo de escrever derivado de uma erradicação oral e popular, redescoberta e revalorizada por intelectuais como: José Lins do Rego, Ariano Suassuna e Jorge Amado que alimentaram as suas produções literárias com o cordel. Estudada por Câmara Cascudo e Cavalcanti Proença, entre outros, essa forma literária, herda da Idade Média e a nós trazida pelos portugueses, tomou forma própria no Nordeste. Com raízes na poesia popular cantada num tom monocórdio por poetas que se intitulam cantadores ou repentistas, quando duelam verbalmente a partir de motes e improvisos que constituem os repentes e desafios, essa literatura se baseia na espontaneidade. Assim afirmou Patativa do Assaré:
“Pra gente aqui sê poeta E faze rima compreta Não precisa professó Basta vê no mês de maio, Um poeta em cada gaio E um verso em cada fulo”
Com esse entendimento é que afirmamos ser de suma importância a difusão, o fortalecimento e a preservação da literatura de cordel.
Divulgaremos em duas colunas quem são esses cordelistas que promovem cultura viva.
I COLUNA
1º - JOSE BRIGADEIRO JUNIOR
Nasceu no dia 15 de julho de 1949 no sítio Latão, município de Antônio Martins, RN. Não tem herança poética familiar, mas, em 1966, aos 17 anos, freqüentava as cantorias nos sítios vizinhos e admirava os cantadores. Gosta de cantoria e admira todos os poetas do nordeste. Certa vez, nos anos 67 e 68, inventou de cantar de improviso, mas não deu certo porque não aprendeu nada de tocar viola, ainda fez umas cinco ou seis cantorias e depois resolveu abandonar a viola, ficando apenas escrevendo versos sobre os acontecimentos que se passavam em sua comunidade. Até hoje escreve poesias com temáticas diversas.
2º - MARIA FERNANDES DE CARLOS OLIVEIRA
Maria Carlos, professora titular aposentada da UERN, atualmente é assessora e produtora de projetos culturais do município de Major Sales, presidente do Ponto de Cultura Tear Cultural, Major Sales / RN; Parecista Técnica do Ministério da Cultura e atua no Programa Cultura Viva do Ministério da Cultura, como Griô aprendiz do Projeto Saber Oral Preservado desenvolvido pelo Ponto de Cultura Tear Cultural, Major Sales /RN. É cordelista com vários trabalhos publicados, entre eles, Imagens do sertão e Bater em Criança é Covardia.
3º - RENATO ALVES DA SILVA BEZERRA
“O gato que apanhou do rato” é o primeiro trabalho em folheto de cordel do autor. Renato Alves da Silva Bezerra nasceu no sítio Baixio município de Major Sales / RN, em 10 de junho de 1987, sendo filho de Sebastião Alves Bezerra e Maria Maura da Silva. A sua paixão pela poesia vem desde os dez anos de idade confeccionando pequenos cordeis em apresentações escolares, seu grau de escolaridade e ensino médio completo. Atualmente Renato é coordenador das rodas de cordel do Ponto de Cultura TEAR CULTURAL de Major Sales / RN.
4º - HELENA BEZERRA DE ARAÚJO
Filha de Abdias Luiz de Assis e Maria das Dores Bezerra Nascida em 31 de janeiro de 1951, natural de Antonio Martins-RN Graduada em Pedagogia, professora aposentada pela Secretaria de Educação do Estado do RN. É apologista, poetisa e admiradora da cultura popular nordestina principalmente a cantoria. Endereço desta poetisa: Rua Antonio Joaquim 167, Frutuoso Gomes-RN.
5º - FRANCI RIBEIRO DA SILVA (CONHECIDO COMO TATÁ RIBEIRO)
Nasceu no município de Acari – RN, no dia 15 de fevereiro de 1935, seu pai Manoel Ribeiro da Silva militar, a sua mãe Elisa Elena de Sousa, dona de casa. Estudou ate o quinto ano do primário na escola de Pau dos Ferros, onde deixou os estudos para trabalhar, trabalhou como policial. Começou a escrever poesia aos 18 anos, influenciado por seu amigo e poeta Delmiro Bernardino e desde ai nunca parou. Largou a vida militar pra trabalhar como serralheiro, e depois no INCRA do Estado do Pará onde Elisa Vitalino Ribeiro da Silva, pai de 7 filhos possuindo netos e bisnetos e reside há 53 anos na cidade de Alexandria.
6º - FRANCISCO EDISIO LORENA (CONHECIDO COMO EDISIO CALIXTO)
Há 37 anos, iniciou como violeiro, compositor de músicas (Canções), poesias em cordel. é proponente do microprojeto “Nas Cordas da Viola”, patrocinado pelo Banco do Nordeste, que será desenvolvido em escolas e em grupos de jovens transmitindo esse saber da tradição oral, contribuindo dessa forma, para difusão e manutenção da cultura do cordel, da viola e do repente no sertão. Sua obra musical e poética já foi objeto de estudo para pesquisadores, como é o caso do livro “Viola Instrumental Brasileira”, da pesquisadora Andréa Carneiro de Sousa, que o considera um mestre de viola. Canta profissionalmente desde fevereiro de 1972, já escreveu 19 trabalhos entre canções, vaquejadas e poemas; cantou em todas as rádios de Mossoró e em outras, como a Rádio Baixa Verde, de João Câmara; Rádio Princesa do Vale de Assú; Rádio Comunitária Vitória FM, de Marcelino Vieira e atualmente na radio de Rafael Fernandes.
7º - DIONÍSIO FLORIANO
Poeta repentista, cordelista; apresentou vários programas radialísticos na rádio Tapuyo e na rádio FM cidadania; atualmente apresenta o programa "universo da viola" juntamente a Paulo de Tarso - na rádio "vida" - FM de Martins-RN aos domingos de 12: 00 às 13:00 horas divulgando a arte do nosso povo.
8º - ADONIAS JOSÉ DA SILVA
Nasceu em 24 de outubro de 1944, filho de agricultores, mora na Vila Mata município de Tenente Ananias /RN, trabalhou no garimpo e na agricultura e é poeta desde os 16 anos de idade, mas não exerceu a profissão de poeta. Hoje é agricultor aposentado e conhecido por todos como “poeta camarada”.
9º - DALVANI ALMEIDA SILVA
Pedagoga e estudante de Psicopedagogia Clínica e Institucional. Admiradora da poesia e de todas as formas de expressão da valorização da Cultura popular. Desde criança, ouvindo as poesias lidas pelo pai Dionísio, foi incentivada a ser uma leitora e escritora dos temas que envolvem "a vida". Tem alguns cordéis de poemas escritos com temas relacionados a Escola e a Educação - (não registrados.) Compositora de músicas religiosas, sendo duas delas já gravadas por cantores da região.
22
Set
I Festival da Cultura Popular do Alto Oeste Potiguar
Escrito por Maria Carlos
Qua, 22 de Setembro de 2010 22:28
DANDO CONTINUIDADE A SERIE: PESSOAS QUE PROMOVEM CULTURA VIVA FOCAMOS A REALIZAÇAO DO I FESTIVAL DA CULTURA POPULAR DO ALTO OESTE POTIGUAR, PATROCINADO PELO BANCO DO NORDESTE, REALIZADO NOS DIAS 20,21 E 22 DE AGOSTO DE 2010 EM MAJOR SALES/RN, CUJA PROPONENTE FOI A COLUNISTA MARIA CARLOS.
O evento I Festival de Cultura Popular do Alto Oeste Potiguar fortaleceu uma das maiores fontes de nossa diversidade cultural que são as expressões culturais populares.
OBJETIVO DA REALIZAÇÃO DO FESTIVAL:
Reconhecer a realidade plural da cultura popular nordestina através da promoção de um seminário e um festival de cultura popular nordestina com o envolvimento de diferentes agentes e grupos culturais que irão apresentar, difundir e divulgar a cultura popular promovendo a continuidade das tradições, a troca de saberes e o acesso da população aos bens culturais, com vistas a construção da identidade cultural e a inclusão social.
A realização do I Festival de Cultura Popular do Alto Oeste Potiguar efetivou-se com muito sucesso, todas as atividades previstas aconteceram integralmente, durante o evento foram lançados dois grupos locais de Rei de Congo também patrocinados pelo Banco do Nordeste, sendo eles o Rei de Congo infanto-juvenil do mestre Bebe composto por 112 crianças e as damas do Rei de Congo do mestre de cultura popular Antonio de Bastião, ressalvamos que a maioria dos membros são agricultores familiares. Participaram do evento 15 grupos culturais de cultura popular que promoveram o acesso da população a esses bens culturais e a troca dos saberes.
O Festival surpreendeu o público com a qualidade dos trabalhos que foram desenvolvidos; a população de Major Sales, os visitantes e os grupos culturais já solicitam a continuidade do evento com a promoção do II Festival de Cultural Popular que deverá ser patrocinado pelo BNB, vez que, já estamos participando do edital 2011.
Destacamos que durante todo o evento foi muito enfatizado o patrocínio do Banco do Nordeste. A seguir apresentaremos fotos que retratam a cultura viva
28
Jul
Participação da colunista Maria Carlos em recente festival de violas
Escrito por Maria Carlos
Qua, 28 de Julho de 2010 22:26
28
Jul
Pessoas que fazem cultura viva no Brasil
Escrito por Maria Carlos
Qua, 28 de Julho de 2010 07:59
EDÍSIO CALIXTO, UM MESTRE DA VIOLA, SEMPRE PRESENTE NAS CANTORIAS QUE ACONTECEM NO MUNICÍPIO DE ALEXANDRIA.
RESUMO PROFISSIONAL:
Sólida experiência como tocador de viola, atuando em cantorias, festivais e feiras de cultura popular. Há 37 anos, iniciou como violeiro, compositor de músicas (Canções), poesias em cordel e de repentes. Atualmente, é articulador de festivais de violeiros, realizador de cantorias e shows de violas em diferentes localidades dos estados nordestinos. Faz programas em rádios, em escolas e em grupos de idosos transmitindo esse saber da tradição oral para crianças, jovens, adolescentes e idosos contribuindo dessa forma, para difusão e manutenção da cultura do cordel, da viola e do repente no sertão. Sua obra musical e poética já foi objeto de estudo para pesquisadores, como é o caso do livro “Viola Instrumental Brasileira”, da pesquisadora Andréa Carneiro de Sousa, que o considera um mestre de viola, um detentor e divulgador musical e oral dessa cultura no Nordeste Brasileiro. Canta profissionalmente desde fevereiro de 1972, já escreveu 19 trabalhos entre canções, vaquejadas e poemas; cantou em todas as rádios de Mossoró e em outras, como a Rádio Baixa Verde, de João Câmara; Rádio Princesa do Vale, de Assú; Rádio Comunitária Vitória FM, de Marcelino Vieira, entre outras. Conseguiu, em vários festivais de violeiros e concursos de cultura popular o primeiro lugar, como no festival de viola em Assú com o tema “Até as Árvores se vestem pra festejar o Natal”, no ano de 1990; e o primeiro lugar no concurso realizado pela Casa do Cantador do Oeste Potiguar, com o título concurso “Ercílio Pinheiro”.
ENTREVISTA REALIZADA PELA COLUNISTA COM O MESTRE DA VIOLA EDÍSIO CALIXTO
1. Qual seu nome completo?
- Francisco Edísio Lorena 2. Qual seu nome artístico ou apelido através do qual você é conhecido?
- Edísio Calixto
3. Qual a sua idade?
- 53 anos
4. Qual é o nome do(s) grupo(s) ou comunidade(s) onde desenvolve seu trabalho?
- A profissão de Mestre de Viola me fez um andarilho, um caminhante, um poeta viajante, porém, o meu trabalho se efetiva com maior freqüência nas comunidades (urbanas e rurais) do alto sertão do Rio Grande do Norte, especificamente nas cidades de Rafael Fernandes, Marcelino Vieira, Pau dos Ferros, Alexandria, José da Penha, Caraubas e Carnaubais.
5. Quantas pessoas participam deste(s) grupo(s) ou compõem a(s) comunidade(s) aproximadamente?
- Os municípios citados, nos quais realizo cantorias, contam com uma população estimada, em seu conjunto, de aproximadamente 95 mil habitantes; entretanto, este público torna-se maior quando as apresentações são realizadas nas rádios, possibilitando a difusão das cantorias a outros municípios do Rio Grande do Norte e do alto sertão paraibano e cearense.
6. Quais são as principais atividades culturais praticadas por você? Quando e onde ocorrem? Em que período do ano?
- Desde o ano 2000 – participo do Programa Raízes da Terra, da Emissora Comunitária Nativa FM 95,3, na cidade de Rafael Fernandes
- Desde do ano de 1985, assumi a posição de Mestre de Viola do Grupo de Violeiros da iniciativa cultural “Viola de Canto em Canto”.
2009 – Participação no II Festival de Violeiros, promovido pela Prefeitura Municipal de Carnaubais – RN.
2007 – Participação no III Festival de Repentistas na cidade de Tabuleiro do Norte, sendo consagrado como vencedor do festival.
2003/2004 – Participei de mais de 100 Festivais de Violeiros em diversos estados do nordeste, alcançando o primeiro lugar em vários, o último festival ocorreu no dia 07 de agosto de 2009 na Casa de Cultura em Umarizal-RN.
2000/2002 – Cantei na Rádio Vitória FM de Marcelino Vieira – RN e na Rádio Cultura de Pau dos Ferros.
2000 – Participação no CD “Repente Potiguarino”, promovido pela FIERN / SESIS e a Fundação Helio Galvão.
2000 – Fui homenageado na categoria “Violeiro – Literatura de Cordel”, na I Noite Arte Cultural, promovida pela Pizzaria Água na Boca, Pau dos Ferros.
1980/1999 – Participei do programa na Rádio Rural de Mossoró RN, CANTIGAS SERTANEJAS
1998- Participei do projeto Chico Traíra, promovido pela Fundação José Augusto, produzindo o cordel De Virgulino à Lampião.
1996- Participei do projeto Chico Traíra, promovido pela Fundação José Augusto, produzindo o cordel Assu de Hontem e de Hoje.
1995 – Participação do 14º Congresso Potiguar de Repentistas Nordestinos, promovido pela Petrobrás.
1980 – Participei do Concurso de Glosas em Assú, terra dos poetas, o qual tinha o título Até as árvores se vestem para festejar o natal, tendo alcançado o 1º lugar. 1976 – Participei do 1º Festival de Violeiros no clube “ACEU” em Mossoró. 1972 – Iniciei a carreira de violeiro no município de Upanema - RN.
7. Quais foram os seus Mestres ou com quem você aprendeu as expressões culturais que pratica?
Fui um aprendiz do meu pai, que foi também um Mestre de Viola. Desde menino seguia meu pai para as cantorias perto de nossa casa e brincava de tocar na viola dele, sempre no final de cada cantoria, meu pai me permitia tocar, cantar uma canção e fazer um repente. Dessa forma, no dia 20 de fevereiro de 1972, no sítio Carão, na residência do Sr. Juarez, dia de domingo no terreiro de sua casa, debaixo de uma latada, alumiada por lamparinas, no pé da parede, realizei a minha primeira cantoria com meu pai, iniciando a carreira profissional com o seguinte repente: “Com a permissão divina e as ordens de Juarez, o ano é setenta e dois a idade é dezesseis no palco da cantoria eu canto a primeira vez”.
8. Quando foi que você assumiu as funções de liderança comunitária e artística que hoje desempenha?
- Assumi a profissão de Violeiro no dia 20 de fevereiro de 1972, realizando a minha primeira cantoria. Hoje tenho 38 anos de profissão, atuando, principalmente, nas cidades do interior do Rio Grande do Norte, promovendo festivais de violeiros e cantorias, participo quando convidado de programas nas escolas e em grupos de idosos transmitindo esse saber da tradição oral para crianças, jovens, adolescentes e idosos contribuindo dessa forma, para difusão e manutenção da cultura da viola e do repente no sertão. E desde o ano de 1985, assumi a posição de Mestre de Viola do Grupo de Violeiros da iniciativa cultural “Viola de Canto em Canto”.
9. Os espaços (sede, barracão etc.) e os outros recursos disponíveis são suficientes para a manutenção das atividades do grupo ou da comunidade onde você atua?
- Como mestre de viola enfrento muitas dificuldades, a minha situação de classe pobre não permite que eu tenha um transporte destinado para o meu deslocamento, não possuo computador ligado em rede de internet para o acesso a comunicação eletrônica, fato que iria facilitar a comunicação com outros colegas e a viabilização de contratos para realização das cantorias. Os espaços físicos existem e são bem diversificados, faço minhas cantorias e festivais em alpendres, latadas, terreiros, calçadas das casas, praças, praças, rodoviárias, clubes e quando convidado, faço apresentações em casas de culturas e nas escolas, porém, falta apoio, recursos, incentivos para as promoções destes eventos de viola, uma vez que, nunca consegui recursos para realização de cantorias, festivais e realização de atividades nas escolas onde eu pudesse transmitir esse saber aos alunos. Eu não possuo renda fixa, sobrevivo dos recursos oriundos da participação em cantorias, festivais e em programas de rádio. Além disso, só a Bolsa Família. Resido numa pequena casa popular, que recebi em 2007, até então morava em casa alugada. 10. Você é atendido ou apoiado por programas, projetos e ações de governo (municipal, estadual ou federal) ou de organizações não governamentais? Cite quais são.
- Não. Mas com a colaboração de Maria Carlos, que ora me entrevista estou participando de editais do Ministério da Cultura e do BNB Cultural, esperando ser classificado.
11. Você desenvolve alguma atividade de trabalho profissional (na lavoura, na indústria, no comércio, etc.)?
- Não, sou profissional da viola
12. Quais os principais desafios enfrentados por você para se manter em atividade (saúde, emprego, renda, moradia etc.)? Como você os tem enfrentado?
- Não possuo nenhum contrato fixo, houve momento que adoeci, fiquei sem poder cantar, e eu e minha família passamos por grandes dificuldades, recebendo ajuda de vizinhos.
13. Como você tem ensinado as novas gerações e quais têm sido as dificuldades para desenvolver o interesse dos mais jovens pela tradição?
- No geral falta aceitação e apoio de alguns Gestores em Educação e Cultura municipais, mas mesmo assim, em minha residência já ensinei a muitos jovens a arte da poesia e da viola e alguns deles já fazem parte de Grupo de Violeiros.
14. Quais os benefícios que a sua atuação gera para a comunidade (culturais, econômicos, sociais ou outros)? O que mudou na comunidade, a partir da sua atuação como Mestre?
- A minha coragem e resistência de levar em frente esta cultura da cantoria, da viola e do cordel contribuiu para manter vivo o saber da tradição oral, elevando a auto-estima das comunidades sertanejas, divulgando, difundindo e preservando a cultura popular contribuindo para construção da identidade do país.
08
Jun
O que é o programa Cultura Viva?
Escrito por Maria Carlos
Ter, 08 de Junho de 2010 15:43
UMA GESTÃO EM REDE, COMPARTINHADA E TRANSFORMADORA.
O Cultura Viva é concebido como uma rede orgânica de criação e gestão cultural, medido pelos Pontos de Cultura, sua principal ação. A implantação do programa prevê um processo contínuo e dinâmico, e seu desenvolvimento é semelhante ao de um organismo vivo, que se articula com atores pré-existentes. Em lugar de determinar (ou impor) ações e condutas locais, o programa estimula criatividade, potencializa desejos e cria um ambiente propício ao resgate da cidadania pelo reconhecimento da importância da cultura produzida em cada localidade.
O efeito desejado é o envolvimento intelectual e afetivo da comunidade, criando uma mágica motivadora na qual os cidadãos se sentem cada vez mais estimulados a criar e participar. O programa incentiva o processo de reinterpretação cultural e estimula a aproximação entre diferentes formas de representação artística e visões de mundo.
“Aqui se faz cultura” pode ser um dos lemas dos Pontos de Cultura, que, ao serem reconhecidos com sujeitos, também reconhecem os outros, intensificando a troca entre si. O papel do Ministério da Cultura é agregar recursos e novas capacidades a projetos e instalações já existentes, oferecendo equipamentos que amplifiquem as possibilidades do fazer artístico e recursos para uma ação contínua junto às comunidades. São objetivos do Cultura Viva:
• Ampliar e garantir o acesso aos meios de fruição, produção e difusão cultural;
• Identificar parceiros e promover pactos com diversos atores sociais governamentais e não governamentais nacionais e estrangeiros, visando a um desenvolvimento humano sustentável, tendo na cultura “a principal forma de construção e expressão da identidade nacional, a forma como o povo se reinventa e pensa criticamente”;
• Incorporar referências simbólicas e linguagens artísticas no processo de construção da cidadania, ampliando a capacidade de apropriação criativa do patrimônio cultural pelas comunidades e pela sociedade brasileira como um todo;
• Potencializar energias sociais e culturais, dando vazão à dinâmica própria das comunidades e entrelaçando ações e suportes dirigidos ao desenvolvimento de uma cultura cooperativa, solidária e transformadora;
• Fomentar uma rede horizontal de “transformação, de invenção, de fazer e refazer, no sentido da geração de uma teia de significações que envolvem a todos”;
• Estimular a exploração, o uso e a apropriação dos códigos de diferentes meios, linguagens artísticas e lúdicas, nos processos educacionais bem como a utilização de museus, centros culturais e espaços públicos em diferentes situações de aprendizagem, e o desenvolvimento de uma reflexão crítica sobre a realidade na qual os cidadãos se inserem;
• Promover a cultura enquanto expressão e representação simbólica, direito e economia.
Conheça o Programa Cultura Viva, acesse o site: www.cultura.gov.br
Em breve apresentaremos neste espaço entrevistas com pessoas que fazem Cultura Viva em Alexandria.
06
Mai
Ação Griô Nacional
Escrito por Maria Carlos
Qui, 06 de Maio de 2010 00:20
“O Griô é um caminhante, cantador, poeta, contador de histórias, genealogista, mediador político. É um educador popular que aprende, ensina e se torna a memória viva da tradição oral. Ele é o sangue que circula os saberes e histórias, as lutas e glórias de seu povo dando vida à rede de transmissão oral de uma região e de um país. O papel do griô aprendiz é garantir a vitalidade e continuidade das redes de transmissão oral entre as gerações, as escolas e os pontos de cultura do Brasil” ( Líllian Pacheco, criadora da pedagogia Griô)
A Ação Griô Nacional, criada e inspirada pela pedagogia do ponto de cultura Grãos de Luz e Griô ( Lençóis – BA) em parceria com uma rede de 50 pontos de cultura de todo o Brasil atua com a vivência, a criação e a sistematização de práticas pedagógicas relacionadas aos saberes e fazeres da cultura oral envolvendo pontos de cultura, escolas, universidades e comunidades. A missão desta rede é criar e instituir uma política pública de estado que promova o reconhecimento do lugar político, social e econômico dos griôs e mestres de tradição oral na educação das crianças e jovens brasileiros.
O ponto de cultura Tear Cultural de Major Sales / RN, participa da Ação Griô com o PROJETO - SABER ORAL PRESERVADO: UMA AÇÃO GRIÔ, elaborado pela educadora em saúde Ângela Wilma Rocha e pela griô aprendiz Maria Carlos.
Maria Fernandes de Carlos Oliveira - Maria Carlos (Griô Aprendiz):
Produtora cultural, poeta e repentista.
°Saberes de Tradição Oral preservado e transmitido na rede
Causos do sertão, provérbios, aprendizagem da leitura no ABC de Buraco, expressões e vocábulos locais, literatura de cordel, costumes do sertão, a história dos caboclos, cantigas de roda, história de almas penadas, cancelas, paredes de açudes, botijas e outras.
Francisco de Assis Silva
°Mestre Bebé do Rei de Congo de Major Sales / RN
História do Rei de Congo, dança do Rei de Congo, músicas do Rei de Congo, Inventário do Boi, modos de viver e fazer do sertão do passado, artesanato em palha de carnaúbas, é rezador, mestre cultural, compositor, contador de histórias.
Aureliano Vicente da Silva
°Lero – contador de lorotas e histórias
Histórias de trancoso, assombrações, caipora, lobisomem, contação de lorotas (mentiras), toque do realejo.
Maria Da Luz Fernandes
°Daluz – Parteira
Toda a trajetória da parteira, os modos de viver, de fazer todo conhecimento do senso comum dessa personagem que ela sabe contar e aprender a exercer essa ação.
Francisco Severiano Filho
°Chico Severiano e os Cabras da Peste
Toque tradicional da Sanfona, história dos forrós de latada, papangús, animação das festas juninas, tradicionais músicas de pé de serra, história das festas antigas, danças de baião e xote, forrós com a cota, organizador de quadrilhas tradicionais.
Antonio José da Silva
°Piasa – tocador de sanfona
Prosa Rei da Sanfona, detém o saber oral da história tradicional da música popular, conhecedor e contador da trajetória do cangaço, notas musicais, crenças, superstições, festas antigas tradicionais, história do fole de oito baixo e sanfona, serestas românticas nas janelas dos namorados, repentista.
PROJETO - SABER ORAL PRESERVADO: UMA AÇÃO GRIÔ
O Projeto Saber Oral Preservado: Uma Ação Griô vem promovendo a interação entre a Escola Antônio José da Rocha e os Griôs valorizando os conhecimento da tradição oral.
16
Abr
Vicente Lopes - Um Poeta Romântico Alexandriense
Escrito por Maria Carlos
Sex, 16 de Abril de 2010 20:16
O poeta escreve e a obra caminha para o mundo dos leitores, e no intercâmbio leitor X autor, vai recebendo observações diversas; dependendo da visão de mundo de cada um, portanto as obras literárias agradam, desagradam e vão elegendo seu público leitor. Neste intercâmbio leitor e autor me encontrei com o grandioso livro Eu Quisera Cantar – de autoria do Poeta Vicente Lopes de Sousa, de nível intelectual diversificado, e consequentemente de gosto literário diferente, tentarei dizer um pouco do que é a eloquente obra do nosso conterrâneo poeta; caracterizando-a e localizando o período literário com a qual se identifica.
Na obra de Marisa Lajolo intitulada – O que é Literatura? – encontrei um dos melhores conceitos para literatura, assim o caracterizo por ser um conceito aberto, logicamente não conclusivo.
Diz-nos o referido conceito:
“A literatura é uma atividade artística que, sob multiformes modulações tem exprimido e continua a exprimir, de modo inconfundível a alegria e a angústia, as certezas e os enigmas do homem”.
Foi assim com escritores do passado e assim há de continuar a ser com os escritores do amanhã. O que muda é o tempo e o modo. O poeta Vicente Lopes foge ao tempo, do inteligente e moderno conceito, pois não acompanhou o estilo e o gênero literário dos poetas da sua época, nasceu em 25 quando florescia a Semana de Arte Moderna – Movimento político literário que proclamou uma nova arte, uma nova consciência da realidade brasileira e uma crítica aos valores anteriores, faleceu o jovem poeta em 1947. Não podemos classificá-lo como um poeta moderno mesmo encontrando em alguns dos seus poemas características ligadas a realidade social; assim, entendemos ser Vicente um poeta Romântico, o gênero lírico, a natureza, a saudade, o sentimentalismo, o sofrimento amoroso, a vassalagem a amada, a fuga ao passado individual, o ufanismo, a exaltação da natureza e da terra natal compõem o cenário do livro “Eu quisera cantar”. O poeta acredita na existência de Deus e na natureza como obra do criador
DEUS ... E sobre noite estendo os olhos meus, Vendo em tudo de Deus seu próprio nome, Sentindo em tudo o nome do meu DEUS! ... Os personagens do cotidiano como o malandro, o lavrador, o caboclo, desfilam nos poemas de Vicente Lopes.
Está Chovendo. E numa esquina Vejo um malandro a ressonar. Como ele dorme: olhem que sono Parece até um cão sem dono De moita em moita a se abrigar
O caráter de verossimilhança das descrições aproximam o leitor da obra, lendo o caboclo lembrei de Machado de Assis em Memórias Póstumas de Brás Cubas no texto Virgília quando diz: “que não sobredouras as sardas e espinhas não, como os autores que não conhecem nem o sertão e querem retratá-lo”, Vicente fala do caboclo com um tom familiar do sertanejo que conhece ,admira ,ama sua terra e sua gente.
MEU CABOCLO
Este é o caboclo bravo e forte do Nordeste O caboclo da pele tostada do sol, O meu caboclo bom, e humilde que se veste De tecido grosseiro o caboclo do anzol.
E o caboclo com seu cavalo galopeiro Que desconhece o mar, a vida de uma praça É o caboclo do meu sertão hospitaleiro, O caboclo sadio que bebe cachaça
Em saudades da minha terra – o poeta longe, vivendo no Rio de Janeiro sentia o coração transbordado de angustia e com um ritmo invejável, através de versos curtos e de rimas alternadas, organizadas em quartetos faz uma paráfrase a canção do Exílio de Gonçalves Dias
Vejamos a comparação:
CANÇÃO DO EXÍLIO
"Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite, Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores, Que tais não encontro eu cá; Em cismar - sozinho, à noite - Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá; Sem que desfrute os primores Que não encontro por cá; Sem qu'inda aviste as palmeiras, Onde canta o Sabiá."
SAUDADES DA MINHA TERRA DE VICENTE LOPES
Muitas saudades eu sinto Da minha querida terra Das vaquejadas nos campos Dos festejos lá da serra.
Daquelas tardes saudosas Que nunca mais esqueci... Das noites enluaradas, Do canto do juriti.
Dos matagais ondulados, Branquejados de algodão, Enfim eu sinto saudades Do meu querido sertão.
Sinto saudades também Da minha pobre casinda, Onde os pássaros cantavam Alegremente a tardinha.
Minha terra é pequeninha, Porém grande para mim Pois tem campos verdejantes Tem flores e tem jardins.
E tem morenas faceiras Iguais a elas não há... Minha terra tem de tudo Quem quiser ver vá por lá.
Além da aproximação com Gonçalves Dias devido ao saudosismo, as alusões a terra natal eo rítimo musical encadeado pelos versos curtos, poemos compará-lo com outros poetas do Romantismo brasileiro, a exemplo de Álvares de Azevedo, a doença incurável tranformou a vida desses poetas em um pessadelo gerando a obsseção pela morte.
LEMBRANÇA DE MORRER
Descansem o meu leito solitário Na floresta dos homens esquecidas À sombra de uma cruz e escrevem nela: __ Foi poeta – sonhou - e amou na vida.
(Álvares de Azevedo)
QUERO MORRER EM MINHA TERRA
... Jesus, não vês? Esta vida Já não me serve senhor! Tanta lida, tanta lida, Quanta saudade sentida, E quanta falta de amor.
Eu quero morrer agora, Mas antes quero rever A minha mãe, que me adora, Meu pai e nossa senhora. Jesus, eu quero morrer!
(Vicente Lopes)
Uma Trilogia é composta pelos poemas “Quando a Tarde Morria” – Ontem e Hoje, Toda Felicidade é Passageira, dedicados a sua amada nos quais fala dos bons momentos proporcionados pelo o amor e conclui que a vida é efêmera, “todo amor é sonho breve e toda felicidade é passageira”.
QUANDO A TARDE MORRIA ... Quando morria ... passo a passo, Assistias no céu os bruxoleios, E colocando teu braço no meu braço, Nossos lábios se uniam ... devaneios ...
ONTEM E HOJE
Outrora, quando eu era teu amado, Tu me querias muito e eu te queria, E andávamos, risonhos, lado a lado, No velho jardim, cheios de alegria. ...
TODA FELICIDADE É PASSAGEIRA
Estes longos momentos de alegria, Que a teu lado desfruto, minha amada, Hão de mudar-se em negra nostalgia, Quando eu partir sozinho pela estrada. ... É presa a dor horrenda e traiçoeira, Veras que todo amor é sonho breve, __ Toda felicidade é passageira!
Impossível interpretar na totalidade a obra do Poeta Vicente Lopes, “Eu quisera Cantar” nos fornece um campo amplo para análise e interpretação a luz de diferentes ciências como a psicologia, Teoria Literária, sociolingüística entre outras. Encerramos dizendo que a obra de Vicente Lopes não pode e nem deve permanecer em gavetas como uma relíquia, ela precisa ser reeditada, ganhar o mundo das bibliotecas, das livrarias, das escolas chegar nas mãos dos grandes críticos literários e servir de instrumento de estudo; fazer parte da literatura oficial deste país saindo do anonimato. O poema que chamou minha atenção quando fiz a primeira leitura do livro – A leitura de Fruição foi CHEGADA A CASA PATERNA
Abram alas todos Afaste-se, gente: __ O que estava ausente Afinal voltou Há um reboliço: Quanta mão erguida... Minha mãe querida Seu filho chegou.
Deixem que eu penetre Nesta casa minha, Que está tão velhinha, E me viu nascer... Já não é a mesma Como está mudada! Minha casa amada, Quero aqui morrer.
Traga um pouco d’água, Eu estou com sede, Armem uma rede, Quero repousar Cheguei magro e feio: __ sofri muitas dores... Venham meus amores, Todos me abraçar!
Longe desta terra Eu vivi chorando, Afinal cantando, Viverei o fim Desta minha vida Cá no lar paterno, Que é tão doce e terno, Rico para mim.
Vem meu pai tão caro Dá-me um forte abraço, Fortifica o laço Deste nosso amor... Não precisa festa Neste nosso abrigo; Vou viver contigo, Como na haste a flor.
Deixem que eu penetre Nesta casa minha, Que está tão velhinha E que me embalou... Abram alas todos Quanta mão erguida, Minha mãe querida Seu filho chegou.
23
Mar
Vidas Secas: Livro e filme
Escrito por Maria Carlos
Ter, 23 de Março de 2010 23:20
A chamada geração de 30 contava com um grupo de escritores nordestinos que escreviam sobre uma temática com foco para: problemática da terra, denúncia social e acusação da injustiça.
Nesse contexto Graciliano escreve uma obra inquietante, poderia ter sido mais um romance contando a história de retirantes, mas a análise psicológica presente na obra confere-lhe especificidades. É uma obra desmontável composta de quadros com análise psicológica. Romance de profunda unidade, feito com muita propriedade de arquitetura fragmentária que obedece uma exigência interna intuída pelo autor.
Podemos afirmar que a obra se compõe de dois conjuntos:
Conjunto 1: família de Fabiano, Fabiano sinhá Vitória, cachorra e o papagaio. Conjunto 2: mundo hostil ao vaqueiro e seu acompanhantes.
Entre os dois grupos não há um sistema de trocas senão um mecanismo de opressão e bloqueio. No conjunto 1 o grupo humano Fabiano e sinhá Vitória estão no grau mais baixo do nível humano elementos infra- humanos ,estão acima do nível animal.
Durante a obra vamos encontrar:
Fabiano
Vitória
|
|
Baleia
papagaio
Fabiano se considera positivo: “Fabiano você é um homem” mais realista. “Fabiano você é um bicho” (Sabe viver), é um bicho esperto. Fabiano mata baleia, Vitória mata o papagaio.
15 motivos significativos atravessam toda a obra:
1. Paisagem seca 2. Os urubus procurando mortos 3. A zoomorfização e antropomorfização das criaturas 4. Pessoas figuradas como coisas 5. O problema da linguagem e expressão dos figurantes 6. O silêncio na natureza e nos personagens 7. O papagaio 8. Os pensamentos fragmentados dos personagens 9. Os preás 10. Seu Tomás da bolandeira 11. O vestido de ramagens vermelhas de Vitória 12. O patrão proprietário opressor 13. A cama de varas de sinhá Vitória 14. As cobras mortas no terreiro 15. O soldado amarelo
Vidas Secas é um romance cíclico. Início – seca – mudança – término - prenúncio – inverno – de novo seca.
Acredita-se que as manifestações culturais da arte, como o cinema quando conseguem sensibilizar, são capazes de afetar as representações mentais do público. Este fato pode vir a favorecer novas possibilidades de compreensão da realidade, e dessa forma, variando em relação ao grau de mobilização afetiva despertada, talvez indicar possibilidades de transformações nas ações individuais.
Não podemos querer ver no filme o romance seguido a risca, e embora leiga em matéria cinematográfica imagino as dificuldades que o cineasta encontrou para fazer as adaptações. O filme mostra-nos o cotidiano da população nordestina passado – presente – futuro realizado dentro dos esquemas tradicionais, linear.
Comparando as duas realidades artísticas podemos dizer que o filme restitui o essencial da obra, mas rompe com a estrutura circular do romance e não chega a recriar no espectador a mesma emoção que o texto de Graciliano, onde é ampliada a figura humana de Fabiano que cai – ergue-se – resiste as fatalidades do meio, as injustiças sociais e caminha mesmo sem rumo sem horizontes.Vários momentos do filme chamam a atenção por seu caráter verossimilhante.
Como não é seguido o mesmo estilo do livro acontece o inesperado. O produtor concentra o filme nos fatos e o romance acentua o aspecto psicológico de Fabiano e Sinhá Vitória; o filme perde em intensidade dramática, basta ver e comparar os monólogos paralelos sobre seu Tomás da Bolandeira, personagem que não aparece no romance, mas de grande importância presente nos capítulos pelos monólogos dos protagonistas.
O filme prefere dar ênfase social em detrimento ao psicológico, a dimensão da obra não é captada pelo cinema que se preocupa com o transitório fenômeno puramente social, portanto local e temporal.
Graciliano no final da obra quer ser mais explícito em referência ao social e termina a obra com uma moral.
“E o sertão continuará a mandar gente para lá, o sertão mandaria para cidade homens fortes, brutos como Fabiano, sinhá Vitória e os dois meninos”.
Para se fazer estudo E muito bem analisar Misturar livro com filme Depois os dois separar É bom ser conhecedor Ter vivido no lugar Pois na leitura e na tela Vai saber se colocar
O autor Graciliano Homem do nosso sertão Dos lados das alagoas Viveu, sofreu nesse chão Foi preso, foi torturado Provou de toda opressão
Escreveu a sua obra Livro de grande valor Que trata o drama do homem Homem forte e sofredor Ora é homem, ora é bicho Que enriquece o doutor.
Sempre lembro o Patativa Quando pego a estudar Pois somente o sertanejo É que sabe bem falar Das coisas da nossa terra Do que existe por cá Por isso o livro é primeira Você pode confirmar O filme é uma beleza Mas às vezes quer falhar
No livro eu encontrei Quarto e sala de jantar É todo bem repartido Treze partes encontro lá O estilo fragmentário Bem feito e regular Você monta e desmonta Ler do jeito que está Entende nas entrelinhas Sem nunca se atrapalhar
É um romance profundo Não encontro o seu par Em análises psicológicas Homem se animalizando Animal se humanizando Mulher sofrendo e sonhando O ódio da existência No filho se revelando
São duas formas artísticas Para o apreciador Pode ser um homem rude Ou pode ser um doutor Conseguem entender a obra Só mudando o valor Mas se for um sertanejo Esse sim é professor Olha para os dois e sai fora Pra dizer o que faltou.
E isso que vou fazer Na infância fui buscar Pois vivi e aprendi Vi tudo nesse lugar Homem viver como bicho Patrão rico se exaltar Retirante humilhado Sem poder se arranchar Inverno arrombar açude E seca açude rachar
Era coisa muito boa Corria pra escutar Um carro de boi zuando Que nem besouro mangangá Só que eram quatro bois Que estavam a lhe puxar Traziam cana e feijão Ou gente pra se arranchar.
Achei coisa preciosa O que Fabiano fazia O fiscal da prefeitura Respondeu com lucidez Posso comer ou não posso Lembrei Chico Buarque Que disse numa canção O galo insiste em cantar E não há proibição.
Outro momento cruel É na hora de fazer conta Fabiano temeroso O patrão lhe desaponta Vence o direito da força Fábula de lobo e cordeiro O homem trabalhador Reprimido e massacrado Pelo poder do posseiro.
Por isso caro leitor Quero aqui lhe dizer Vidas Secas é produto De quem soube escrever Romance cíclico profundo Campo de muitas análises Um estudo estilístico Vai mostrar muitas passagens
Fabiano e baleia Formam uma oposição Masculino e feminino Mas aproximam-se No jeito da falação Apenas grunem, rosnam E no mundo exterior Baleia caça preá Fabiano é trabalhador
Outro par bem formado É Vitória e o papagaio Num espaço limitado Relação simétrica e binária Com a morte é complementada Fabiano mata baleia A do papagaio justificada “Não servia para nada Nem falava, nem caçava”.
Quando falo do sertão O meu verso vira um canto Se aqui tem sofrimento Não digo isso com pranto A seca sempre foi tema De poeta popular Que denuncia e encanta A quem sabe apreciar
Escute a triste partida Veja o drama musical Como um pé de fulô Menina se lamentando “Porque ele lá ficou Meu pobre cachorro Mãezinha e meu gato” Tudo isso o Patativa Muito bem nos revelou.
A nossa terra é bonita O sol é quente brilhante A seca é nosso tormento O inverno o melhor presente Para o forte camponês Que cultiva a terra fértil E só colhe no ano um mês.
13
Fev
Início dos trabalhos no Novoclique
Escrito por Maria Carlos
Sáb, 13 de Fevereiro de 2010 06:52
Hoje inicio os trabalhos como colaboradora neste site NOVOCLIQUE, e passo a assinar a coluna Arte e Cultura.
Decidi aceitar o convite do colunista Marcos Almeida, por acreditar no seu trabalho, a quem agradeço a oportunidade de poder desta forma difundir a nossa cultura.
Para esse primeiro momento trago uma poesia, do que vem ser cultura.
Raiz cultural
1 - Tecer palavra com rima Considero-me primeira Com apoio de vaqueiro Canto de galo campina Da getirana florida A beleza me ensina Gosto de ser sertaneja Falar com desenvoltura Me diga se for capaz O que vem a ser cultura
2 - Pelo sertão do Nordeste Já fiz Mote e repente Então sai a procura De um poeta inteligente Para trocar desafio Sobre arte e cultura Apareceu um cantador Disse nisso eu sou doutor Faço logo a abertura
3 - Eu disse vá me dizendo O que você estudou O que você escreveu Por onde você andou O que sabe do presente Do passado o que ficou Fale com força e bravura O que vem a ser cultura
4 - Que desafio pequeno Eu respondo na altura Cultura é sabedoria Livro lei literatura Tudo que está escrito De Rui de Camões de Cícero E da Sagrada Escritura
5 - Poeta eu lhe asseguro Incompleto é seu falar Apague a dicotomia Erudita e popular Cultura é tudo aquilo Que resulta do pensar E o modo de fazer Pra poder sobreviver Cultura é humanizar
6 - A cultura do povo Já foi toda artesanal A rede era tecida A sela do animal A cadeira de sentar A porteira do curral A tijela de comer Com uma colher de pau Até a máquina aparecer Era tudo manual
7 - A arte estava presente No vida daquela gente Que sabia inventar A cabaça de cola Servia para nadar E o cavalo de pau Para o menino montar
8 – Cangalha de pau e palha Funil de tampa de lata Eles sabiam criar A boneca de sabugo De couro o caçuá Na luta pela sobrevivência Arte e cultura é ciência Que marcam sua presença Na vivencia do lugar
9 – Tinha chita e lamparina Funil de zinco aprumado Ancoreta e cangalha Cuia de coité curtido Uma latada de palha Onde a mulher sentava Com seu vestido franzido
10 - O jogo sempre foi arte Que não podia faltar De bila e de castanha De macaca pra pular Com um pau e uma corda Na mangueira a balançar De longe se escutando O canto do sabiá.
11 - O valor de tudo isso Era a grande amizade Os amigos, as amigas O padrinho e a madrinha O compadre e a comadre O flerte muito comprido Entre os apaixonados
12 - Devagar o homem foi Transformando sua ação O seu tear esqueceu A almofada e os bilros A rendeira encostou A máquina apareceu Da costura e do trator A velha casa de taipa Ele logo reformou O terreiro de areia Pela calçada trocou
13 - Assim foi logo chegando Outro jeito de inventar Aquelas bocas de noite De candeeiro acendido Pra TV deram o lugar Com a energia elétrica O nosso ferro a brasa Teve que se aposentar
14 - É isso aí cantador A cultura é patrimônio Do passado e do presente Vamos portanto manter Sobre tudo escrever Quer para não se perder Na poeira do tempo Essa nossa identidade Linguagem, moda e repente.
15 - No passado quem chegava Numa casa do sertão Ou de fora ou de dentro Vá logo se apiando Amarre o burro no mourão Se assente aí no banco Tire a espora o gibão Tem milho mole pro burro E ceia para nós cristãos
16 - Hoje quando chega gente É numa moto a pilotar Boa Noite seja bem vindo Entre venha se sentar To assistindo novela Por favor queira esperar Bote a moto no alpendre Pode vir alguém roubar